Crítica: Your Name

A vida é como novelo de lã que, aos poucos vai se tecendo. Ora formando belos desenhos, outros nem tanto. Às vezes, precisando de nós e correções para fazer sentido. 

Your Name é uma obra que, começa despretensiosa e, por que não dizer, quase enfadonha. No entanto, ela vai se transformando em uma obra-prima que tira o fôlego pela beleza e pela emoção. Assim como o novelo que se desenrola para formar algo impensável no final, o anime faz o mesmo. 

O grande tema do anime pode ser entendido por meio de uma palavra, na minha opinião, “mudar”. Veja, a história do anime relata a vivência uma garota chamada Mitsuha, que vive em um pequeno vilarejo no interior do Japão e sonha com a vida agitada de Tóquio. La, em Tóquio, o garoto Taki vive à procura de algo que ele não sabe bem o que é. Eis que, determinado dia, ambos acordam em corpos trocados. 

De cabeça, talvez eu me lembre de uma dezenas de filmes com a mesma premissa, mas esse é bem diferente. Os contrastes gerados não são óbvios. De um lado temos o moderno em oposição ao tradicional, o feminino em oposição ao masculino, a velocidade da cidade contra a calmaria da cidade e, a riqueza única da tradição em contraposição à industrialização dos afetos e das histórias da modernidade. 

Conforme as oposições vão ficando mais evidentes, conforme a diferença se acentua como um ponto de inflexão, mais nasce algo inesperado, o amor. O ponto alto do filme parece um beco sem saída, uma falta de esperanças sem fim que vai consumindo o espectador na expectativa de uma resolução óbvia, mas a resolução não vem. 

O que vem é algo muito melhor. Não quero dar spoilers sobre o filme para você poder assisti-lo tento todas as surpresas que eu tive, os amarros no coração e as alegrias que me visitavam de tempos em tempos. 

O que novelos tem a ver com saquê? Descubra assistindo o filme. Mas, ao final, faça uma alto análise. O que significa mudar? Somos os mesmos de ontem? Carregamos um pouco dos outros em nós? E se o futuro for o nada, o que realmente vale a pena na vida, o percurso ou a concluso?  

Talvez você só descubra a resposta quando o seu novelo terminar… ou será que ao terminar ele estará apenas começando?      

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