A música brasileira e sua diversidade

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Foto de Felipe Sassi

Já é de conhecimento geral que vivemos num país preconceituoso. Mas em contracorrente, a música brasileira voltou a trazer sua diversidade.

Nosso passado rico

Num tempo em que mulher tinha que ser dona de casa, Rita Lee se metamorfoseou e foi fazer rock.

O negro e o favelado não tinham espaço, então Gilberto Gil trouxe a negritude e a favela em sua voz.

Mulher negra nem o direito de fala tinha. Foi então Elza Soares cantar sobre sua negritude e a dificuldade da mulher negra e pobre.

Gay? Gay nem é gente. E assim Ney Matogrosso coloriu nossa música com toda a sua arte performática e andrógena.

Esses são apenas alguns dos nomes que abriram as portas para aqueles que não tinham voz ou não se viam representados dentro da própria cultura.

Está no DNA da música brasileira a diversidade, como o passado nos mostra. E o nosso presente e futuro parecem seguir pelo mesmo caminho.

O futuro colorido

Se o nosso passado musical foi rico na diversidade na qualidade na música, o presente colhe os frutos. Além de muitos desses nomes estarem na ativa atualmente (Elza acabou de lançar um álbum novo, vale a pena conferir), novos nomes vêm surgindo graças a essas portas abertas por esses artistas.

As drags

A arte da drag queen sempre esteve presente na cultura gay. Fora dele, sempre foi algo marginalizado ou estereotipado.

Com a cultura drag crescendo na cultura pop (com ajuda de realitys como RuPaul’s Drag Race), elas vêm ganhando destaque na mídia.

Nomes como Pabllo Vittar e Gloria Groover, são alguns do destaque na música pop brasileira.

Nos últimos dois anos, Pabllo viu sua música explodir no país inteiro, e junto com o sucesso, as críticas também. A qualidade de seus vocais e de suas músicas, é o cerne das discussões.

Mas o que muitas vezes é deixado de lado, é a importância de termos uma drag queen tocando nas rádios de um país homofóbico.

LGBTQ

Artistas trazendo a cultura LGBTQ para a música brasileira é o que não falta, como vimos acima. O Ney Matogrosso abriu as portas lá no passado, transgredindo a normalidade, e hoje vemos gays, trans e queers pegando o microfone e perpetuando a diversidade e representatividade pelo Brasil.

E se você não curte tanto o pop da Pabllo, aqui vão alguns nomes para você ouvir:

– Johnny Hooker traz um som de dar orgulho a tropicália: uma mistura de MPB, com pop, rock e brega.

– Liniker e os Caramelows um desses novos nomes da nossa música. Com uma pegada mais MPB, misturado com R&B e soul.

– Uria, novata e amiga de Pabllo, vem com um som mais puxado para o reggae.

– Rico Dallasam já puxa o som para o rap. Com letras que falam sobre homofobia, racismo e periferia.

Mulher poderosa!

E por último, não poderia deixar de falar da aposta pop desse ano. A cantora Iza: mulher negra, da periferia e talentosa, vem cada vez mais ganhando destaque na mídia.

Seu primeiro álbum, Dona de Mim, saiu dia 27 de abril, recheado de participações especiais como Ivete e Carlinhos Brow.

Iza, com a sua voz poderosa, canta sobre suas raízes e a cultura do candomblé, mostrando que além de diversidade, a música brasileira tem qualidade também.

A diversidade na música brasileira foi e continua sendo presente. Seja mais popular ou não, essas vozes cantam e encontram o reconhecimento daqueles que não se encontram no padrão.

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