Dirty Computer, uma ode ao que o ser humano tem de melhor: a diversidade.

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Foto de Alan Ferguson.

Após anos encarnando a personagem androide, Cindi Mayweather, em seus discos, Janelle Monáe decidiu que era hora de ser ela mesma. Dirty Computer não tem alter ego, é a cantora expondo o que a de mais íntimo nela: suas diferenças.

Foram cincos anos desde seu último trabalho, The Eletric Lady (2013). A cantora justifica a demora dizendo que esse álbum é mais honesto, mais íntimo, e por isso ela precisou de mais tempo para poder viver e colocar para fora.

O disco lançado no dia 27 de abril, toca em assuntos tão pessoais que Monáe finalmente decidiu quebrar o silêncio sobre sua sexualidade. Desde que iniciou sua carreira, a imprensa questionava sobre sua vida amorosa, mas a cantora sempre se esquivava com respostas do tipo “só namoro androides”.

Dessa vez não.

“Being a queer black woman in America, someone who has been in relationships with both men and women – I consider myself to be a free-ass motherfucker.” – Janelle Monáe.

E Dirty Computer é sobre isso: ser mulher, ser negra e ser queer.

O álbum tem uma pitada mais pop do que os seus antecessores, e ganha um sentido mais político em suas letras.

“I want young girls, young boys, nonbinary, gay, straight, queer people who are having a hard time dealing with their sexuality, dealing with feeling ostracized or bullied for just being their unique selves, to know that I see you. This album is for you. Be proud.” – Janelle Monáe.

Músicas como Pynk e Django Jane são cheias de mensagens sobre o poder da vagina – inclusive temos um monólogo da vagina – e da própria mulher negra.

Americans é uma crítica aos Estados Unidos, com algumas citações de discursos do ex-presidente Barack Obama e uma forte presença das guitarras de seu mentor, Prince. A real liberdade do país mais livre do mundo, exposta na canção. Definitivamente uma das músicas mais fortes do álbum.

Mas Dirty Computer também tem um lado mais sexual. Monáe explora sua sexualidade em canções como Make me Fell, Take a Byte e I Like That, com uma pitada daquele deboísmo: eu sou assim, gosto de ser assim, e quem se importa? Canções que deixariam Prince orgulhoso de sua pupila.

Emotion Picture

E para deixar a obra mais completa, o disco ganhou um minifilme, ou como a cantora chamou, “emotion picture”. Um sci-fi feminista e LGBTQ, com um visual futurista, mas ao mesmo tempo com grande influência dos anos 80 (assim como a sonoridade do álbum), que reforça a crítica e as mensagens de suas músicas.

A história se passa num futuro distópico, em que o governo quer “limpar” os seus cidadãos que não são considerados normais, e sim “dirty computers”.

As músicas ganham um significado maior com seus vídeos. Pynk, por exemplo, é praticamente uma festa em celebração a vagina. Com mulheres negras vestidas de rosa e com roupas com uma mera semelhança ao órgão celebrado.

Crazy, Classic, Life e Make Me Fell, ganham vídeos que exploram a sexualidade da cantora, que já não quer mais esconder o seu lado queer. E também celebram a diversidade das pessoas: seus gêneros, suas cores e sexualidade.

São 48 minutos que te prendem em vídeos que trazem as diversidades dos personagens questionada pelo sistema autoritário. A luta e fuga deles pela liberdade de serem quem são!

Nas palavras de Monáe, Dirty Computer é sobre ser marginal à sociedade. É celebrar os “bugs” da normalidade, porque as diferenças são os nossos atributos, nossas características mais intrínsecas, que tornam o mundo melhor.

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