O pop que não é arte! A música que não se enquadra nos cânones da arte.

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Foto de Johnny Giusti. Arte de Mr. Brainwash

Há quase 30 anos quando Madonna lançou seu 4º álbum de estúdio, Like a Prayer, a revista Rolling Stone fez a seguinte declaração: “… é o mais próximo que a música pop já chegou da arte”.

O que me fez sempre questionar: por que a música pop não é considerada arte?

Eu sempre fui um amante voraz do pop, e por essa razão sempre ouvi tanto de colegas quanto de professores (principalmente) que música pop é algo comercial e descartável, portanto não é uma forma de arte.

Não tiro a razão deles, da parte do comercial – assim como qualquer outro trabalhador, o músico também precisa ganhar – mas colocar todo um gênero musical em um quadrado e dizer que é descartável e não é arte é mostrar a falta de conhecimento e preconceito que existe em você!

Esse preconceito é tão forte que ressoa nos trabalhos dos artistas. Madonna, como já citei, passou anos tentando fazer com que sua música fosse levada a sério e ganhasse essa áurea de arte.

Foram anos para que ela perdesse o estigma de material girl do início da carreira. Depois que ela amadureceu sua música, trabalhando em temas como feminismo, sexo e AIDS, a crítica encarou apenas como uma tentativa vulgar de chamar atenção, desprezando a importância e a qualidade de sua música.

Apenas depois que ela se afastou do pop comercial e das polêmicas sexuais, foi que conseguiu ganhar notoriedade.

Existem artistas que jamais terão os seus trabalhos reconhecidos como arte, por jamais se afastarem do gênero, ou por serem considerados “comerciais demais”, mesmo tendo trabalhos de extrema qualidade.

Para ser arte, não pode ser pop.

Os cânones da arte

Para um artista pop ser reconhecido, ele tem que trabalhar em dobro, às vezes até o triplo. É preciso agradar a gravadora com números positivos, agradar a crítica e o público, ser um “artista completo” – produzir, escrever, cantar, dançar, dirigir seu clipe… – e o mais importante: sua música tem que ter conceito. Jamais faça música apenas para entreter!

Porque a arte não pode apenas entreter, senão não é arte.

E é aqui que eu queria chegar. Acredito que a arte pode sim apenas entreter, é apenas uma de suas facetas. Vamos abrir a mente e não ver a arte como algo pré-definido, estabelecido e rígido.

Uma vez eu ouvi que arte é aquilo que te toca de alguma forma, que te faz sentir e que te faz mover.

Quando estamos diante de uma obra, seja qual for, e elas nos faz sentir emoções – ódio, alegria, tristeza, saudade, amor… – nos desperta para algo, de alguma forma nos toca, ela está fazendo o seu papel como arte. E isso pode ser com uma música clássica, erudita e até aquela música pop que toca na rádio.

Se livrar das amarras do preconceito, pode te trazer grandes surpresas!

O pop encontra a arte

Para mostrar que pop também é arte e fazer você perder esse preconceito, separei 3 obras primas do pop, que definitivamente você TEM que ouvir e conhecer!

Madonna – Ray Of Light

(1998)

Foto de Mario Testino

Uma das obras primas da discografia da cantora. Madonna mais uma vez se reinventava. Com uma sonoridade eletrônica, bem no estilo anos 90, o álbum navega no intimismo da rainha do pop: sua nova espiritualidade e a experiência de ser mãe de primeira viagem respaldam pela obra.

Britney Spears – Blackout

(2007)

Foto de Ellen Von Unwerth

A eterna princesinha do pop passava pelos seus dias mais loucos. Sua vida era exposta quase 24h pela mídia, mas ela soube tornar isso arte. O álbum é quase um relato das noitadas loucas da cantora na época. Com  cutucadas nos tabloides, batidas pesadas, frenéticas e sujas, junto com o eletrônico, EDM e com a voz distorcida de Britney, refletem a loucura que a cantora vivia.

Christina Aguilera – Stripped

(2002)

Foto de Miranda Penn

Junte uma pegada latina com rock, R&B, gospel e letras que falam de traumas pessoais, autoconfiança, sexo e feminismo e você tem uma das obras primas da discografia da cantora. Stripped, como o nome diz, é a Aguilera nua e exposta, no sentido mais profundo que essas palavras podem ter.

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