Jeitinho brasileiro de Cinema

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Com ou sem 7×1 da Alemanha em 2014, o brasileiro não perde a fé que tem na Seleção Brasileira. O futebol brasileiro e a seleção Canarinho tem aquela malemolência do futebol-arte que deixa o jogo bonito, faz o coração pulsar e os olhos, até daqueles que não entendem o esporte, marejarem. É o jeitinho brasileiro aplicado na sua máxima excelência.

O jeitinho criativo e produtivo, de fazer mais, com menos, está longe de ser exclusividade do futebol. Está presente no dia-a-dia, na cena musical, nas escolas e também no cinema.

Ver o projeto sair do papel para ganhar as telonas e os corações brasileiros exige muito comprometimento, planejamento, esforço e bom… o jeitinho brasileiro. Algumas produções nacionais tem suas etapas e realizações executadas exatamente como o planejado. Outras, mesmo com todo o planejamento e maestria em execução, dificilmente teriam o destaque que tiveram sem dar aquele drible de arrepiar a pele.

Como o Hexa vem, de verde e amarelo, e cheio de jeitinho brasileiro, aqui estão 6 filmes nacionais que usaram essa arte e manha para serem sucesso:

VISH! VAZOU!

Tropa de Elite osso duro de roer, com certeza. O filme de Jose Padilha, Tropa de Elite, foi lançado oficialmente em 5 de outubro de 2007. Mas uma versão não finalizada foi vazada meses antes de chegar aos cinemas.  Algumas notícias relataram que mais de 11 milhões de espectadores viram a versão pirata na época e que o vazamento foi o motivo do grande sucesso do longa, que levou quase 2,5 milhões de espectadores ao cinema. Muitos chegaram até a acreditar que a própria equipe de produção do longa teria vazado para fins de Marketing, mas logo esta versão foi desmentida.

CRIANÇADA, O BOZ… OPS! BINGO CHEGOU

O longa de estreia de Daniel Rezende, Bingo: O Rei das Manhãs, lançado em 2017, não foi lá um grande sucesso de bilheteria – apesar de ter sido distribuído pela grande Warner Bros. Mas isso não impediu de ganhar os corações da crítica especializada e ser escolhido como representante brasileiro para o Oscar. Bingo foi inspirado nos acontecimentos da vida de Arlindo Barreto, um dos atores que interpretou o palhaço Bozo na TV. O nome Bozo não pôde ser usado por conta dos direitos autorias protegido da marca americana. Então, Bozo, virou Bingo!

SENTA O DEDO NA GALINHA!

Cidade de Deus (2002) é o filme brasileiro Top of Mind mundo afora – aquele primeiro que vem à mente – está na lista de Top Rated Movies no site IMDb, foi indicado para 4 Oscars e mais 100 outros prêmios (levando mais de 60 deles). Diversos diretores e artistas renomados já confessaram ter Cidade de Deus como inspiração em suas obras (Hiro Murai em This is America; Ryan Coogler e Michael B. Jordan em Pantera Negra). Muito desse reconhecimento do longa, assim como sua cena mais icônica, vem da excelente edição – indicada ao Oscar – de Daniel Rezende. Sim! O mesmo diretor de Bingo. A famigerada cena da galinha que foge de ser sacrificada em uma festa na favela, é uma questão de perspectiva e jeitinho. É a montagem que nos leva acreditar que a galinha está fugindo com medo.

OS 10 MANDAMENTOS NÃO TEM NADA A PERDER

Nada a Perder: Contra tudo e Por todos (2018) e Os 10 Mandamentos (2016), ambos dirigidos por Alexandre Avancini e com produção da Record Filmes, tiveram recordes de bilheteria e atualmente se encontram como os dois filmes brasileiros de maior bilheteria. Um recorde com quase 12 milhões de público cada um dos longas e… salas vazias. Diversos veículos e jornais apontaram as divergências entre ingressos vendidos e ocupação real das salas de cinema. Em nota publicada no site uma semana antes da estreia de Nada a Perder, a Igreja Universal do Reino de Deus, afirmou que a imprensa despejaria “fake news (notícias falsas) para tentar diminuir a importância da espetacular bilheteria do lançamento do filme “Nada a Perder”, e também negou – em ambos os filmes – a compra pacotes de ingressos. Fica a dúvida: a Universal do Reino de Deus comprou ou não todos esses ingressos?

20 ANOS E MUITA TRETA

Chatô: O Rei do Brasil narra a historia de Assis Chateaubriand, empresário e membro da Academia Brasileira de Letras, importante na história brasileira das comunicações. O longa começou a ser produzido em 1995 (Sim!) com previsão de lançamento para 1997 e só foi lançado, de fato, em 2015. A briga vem desde a compra dos direitos do livro homônimo pelo ator e diretor Guilherme Fontes, que entrou em contato até com a produtora de Francis Ford Coppola para produzir o filme. A Lei Rounet e a Lei do Audiovisual foram usadas e dos R$12 milhões solicitados, Fontes conseguiu apenas R$8 milhões. A produção foi se tornando cada vez mais grandiosa e mais cara, até que por fim, o dinheiro acabou. Com a demora para finalizar o filme (já em 2004) a Ancine – Agencia Nacional do Cinema, entrou com uma ação para que Guilherme Fontes devolvesse aos cofres públicos, com correção monetária, todo o dinheiro solicitado para a produção, o equivalente a R$ 33 milhões. Após mais acusações de imprudência fiscal durante a produção, em 2014 Fontes foi mais uma vez condenado a pagar R$ 66 milhões aos cofres públicos, quando finalmente o filme foi lançado em 2015. A história por trás do filme, que conta a história de um dos mais importantes magnatas da comunicação brasileira, vai muito além deste resumo e vale a pena ser pesquisada.

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