Quanto vale a imaterialidade?

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Imaterialidade
substantivo feminino
  1. qualidade, característica ou condição do que é imaterial.
Prazer
substantivo masculino
  1. sensação ou emoção agradável, ligada à satisfação de uma vontade, uma necessidade, do exercício harmonioso das atividades vitais etc.; alegria, contentamento, júbilo, satisfação.

No mundo contemporâneo, regido, majoritariamente, pelo tempo frenético, imediato e muitas vezes, mecânico, cada segundo vivido se traduz em porcentagem, em grana, em acertos e erros e em comparações. Esse tempo que nos sufoca, que não tolera erros, que leva à exaustão o condicionamento humano e que traz à barbárie da ação mecânica para o nosso cotidiano. Isso se traduz em um ciclo de vida que nos é dado, que consiste em concluir o ensino médio, entrar em uma Universidade, sair dela e já se encontrar profissionalmente, fazer um pós-graduação, construir uma família, trabalhar em prol dela, aposentar-se, viver à velhice e morrer. Esse itinerário imposto pela cultura ocidental não prioriza a essência, o tempo, as necessidades e as características de cada um, daí tudo o que tiver a margem deste caminho é fortemente criticado, exaustivamente negado e rotulado como perda de tempo. E se quisermos voltar e seguir outro caminho? Não se pode.

Perder tempo. O que é perder tempo?

Se a resposta for ir na contramão deste manual para viver a vida, poxa. Quer dizer que negamos o multiculturalismo que expande a vivência humana na Terra quando falamos em culturas distintas, não precisamos ir muito longe, o próprio espaço micro nos brinda com essa miscigenação, o que na periferia é um modo de vida, no centro é outro; o que no Sul do Brasil se manifesta é totalmente diferente do que na Região Norte, por exemplo. O “trabalho” de colocação da vida humana em caixinhas não é vantajoso e não se faz necessário, muito pelo contrário ele machuca, discrimina, exclui e mata.

Se perder tempo é valorizar o prazer pelo novo, o prazer por momentos, o prazer pela cultura, o prazer pela marginalidade (no sentido mais puro da palavra). Então, concluímos que perder tempo é algo prazeroso e imprescindível.

Como mensurar e monetizar suas experiência de infância? Da adolescência? Dos momentos com os amigos, com a família? Dos momentos que não voltam? Não é possível. Quando olhamos esse tempo gasto vem à mente o quanto poderíamos ter gastado mais, nos marginalizado mais, nos brindado com uma vida mais prazerosa. O passado potencializa isso. As brincadeiras nas ruas, o soltar pipa, a amarelinha, os piqueniques, a convivência diária e despreocupada com os amigos, a vivência com entes, as comidas dos avós, dos pais.

Quanto vale a imaterialidade? Da memória, do presente, do futuro? De estar com os amigos tomando um litrão no bar? De reunir a família num almoço de domingo? De celebrar a vida de pessoas queridas? De viajar e conhecer outras culturas? De pular carnaval? De tirar um dia da semana pra você? De romper com a “moral e os bons costumes”? De apreciar a nossa volta? De ouvir o som ao nosso redor? De poder se desconectar? De da prazer a nossa vivência no dia a dia?

Precisamos questionar mais, buscar mais perguntas do que respostas. Precisamos ter esse prazer de entender e valorizar os pequenos momentâneos, que fogem daquele ritmo frenético que nos é apresentado. É desafiador, não tem receita pronta, o que temos é a certeza que cada um faz sua experiência e tem de ter força pra fazer dela algo prazeroso. Não há vida melhor do que uma vida que o sistema monetário não é capaz de validar, uma vida que marcada na memória pelo prazer de vivê-la e mais, uma vida que está aí pronta pra dar prazer.

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