‘Multicultural’, seleção francesa busca sua identidade

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A seleção francesa é a primeira classificada para a final da Copa do Mundo de 2018. Com duas vitórias e um empate na fase de grupos e três vitórias na fase mata-mata, os franceses já convenceram o mundo que são merecedores da final. O que pouca gente sabe é a união “multicultural” presente nos vestiários franceses.

Isso porque dos 23 jogadores convocados, 19 tem origens africanas ou de outros países da Europa. Apenas o goleiro e capitão Lloris, o lateral Pavard, o atacante Giroud e o meia Thauvin são exceções a essa regra. Todo o restante do elenco tem suas origens em outras culturas, próximas ou não, a francesa.

E isso não é novidade na seleção. No único título mundial da França, em 1998, o líder do grupo era um tal de Zinedine Zidane. O craque, ex-técnico do Real Madrid, é de origem francesa, mas tem pais argelinos. Na época, isso não era bem visto pela extrema direita do país. Porém, quando Zidane fez 2 gols na final contra o Brasil e ajudou o time a vencer sua primeira Copa, cerca de 1 milhão de pessoas se reuniram no centro de Paris para festejar o título. Isso representou um pacto de paz entre os franceses e imigrantes.

Isso poderia ter significado uma vitória contra o racismo e a xenofobia na França e no mundo. No entanto, a realidade foi diferente. Lilian Thuram, zagueiro daquele time de 1998, declarou que a mensagem “deveria ter sido que a França integra todas as pessoas, não importando suas crenças, origem, pele… O que ficou foi que o esporte é capaz de fazer isso, como se os imigrantes não esportistas não tivessem chance”.

A seleção de 2018 é mais multicultural do que o elenco campeão há 20 anos. Apenas Zidane não foi o suficiente para acabar com o preconceito com os imigrantes na França, mas será que um elenco com mais de 80% de outras culturas pode ser diferente? Thuram acredita que “as pessoas que viveram aquele momento em 1998 foram positivamente influenciadas pelo que sentiram”.

O jornal francês Le Monde, ao longo do mundial, vem destacando a seleção como objeto político, colocando os ‘Les Bleus’ como “a caixa de ressonância do questionamento da identidade francesa”. Vencer é uma prova de integração bem-sucedida, ao ponto que perder mostraria que falta sentido de comunidade no país.

Pode ser que um grande passo contra a xenofobia e o racismo seja dado com o título francês. Por outro lado, a derrota pode significar certo rompimento entre as multiculturas e comunidades do país. Ao menos temos o tema abordado e o debate pode começar a partir da França.

O adversário dos azuis sai do confronto entre Inglaterra e Croácia, a ser realizado nesta quarta-feira (11/07).

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