Mulheres e RPG – Women in Tabletop Gaming Month

mulheres e rpg
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*arte da capa por http://www.jasonchanart.com/

Mulheres e RPG – a presença feminina nas mesas

Conheci RPGs (D&D mais especificamente) em 2005, fazendo um trabalho de antropologia no 1º ano da faculdade. Eu participei brevemente de uma mesa de um grupo conhecido com para escrever sobre isso, mas morando em outra cidade acabei não acompanhando a história por completo. Por uma série de motivos, apesar de ter me interessado muito, nunca mais joguei. Não sei se foi puro azar, mas mesmo sendo uma adolescente que vivia com a cara enfiada em livros de narrativa fantástica e desenhava mapas e personagens durante as aulas de biologia nunca tinha tido contato com outros grupos antes, e isso não mudou nos anos que seguiram à essa pequena experiência.

Passamos para 10 anos no futuro. Em 2015 acabei conhecendo algumas pessoas (oi Luis) sofrendo do velho drama – conheço o material, sempre quis jogar, nunca consegui um grupo. Começamos uma mesa no D&D 3.5, que é o sistema que eu tinha conhecido lá naquela outra vez. Essa mesa já está fazendo 3 anos, e diversos jogadores já passaram por ela. E conforme esse mundo foi se tornando mais familiar pra mim e comecei a interagir mais com grupos relacionados a isso me dei conta de como o público feminino ali parece inexpressivo. Hoje fico feliz em dizer que já conheço vários grupos liderados por mulheres que jogam, mestram e produzem muito conteúdo de qualidade sobre rpgs e outros table tops, e que muitos esforços tem sido feitos para que esses espaços se abram mais e acolham melhor esse público, que é enorme por sinal.

Entender que representatividade e apoio importam

Têm crescido muito os eventos e conteúdos relacionados à presença feminina em jogos não só de mesa, mas em todos os tipos de plataforma, inclusive eventos direcionados especificamente à esse público. O que, claro, trouxe discórdia. Muitos participantes desse nicho acreditam que essa é uma medida desnecessária e excludente, e que é só mais uma demonstração de frescura das moças. Porém, acredito que precisamos ter um pouco mais de maturidade e empatia com relação a esse assunto. Esses eventos não são criados porque nós como jogadoras não gostamos de homens, nem porque achamos que eles são todos companheiros de mesa ruins ( beijo pros meus dois grupos em que eu sou a única mulher, vocês são lindos ♥), mas sim porque determinadas situações podem fazer esse ambiente parecer hostil, especialmente pra quem ainda não tem experiência e confiança.

Um evento destinado somente a mulheres ajuda a trazer mais novas jogadoras para o meio, pessoas que poderiam ter receio de se aproximar de um grupo ou ir a um evento sozinhas por exemplo. Quando você sabe que vai chegar em um lugar e de cara vai se identificar com um bom número de pessoas lá tudo fica mais fácil. A partir dessa primeira aproximação essa pessoa provavelmente vai se sentir mais confortável no meio em geral, e vai começar a determinar suas próprias preferências quanto a grupos e sistemas.

E por que esse ambiente pode nos parecer hostil?

Bom, pra começar não dá pra dizer que a maioria de nós, jogadoras, conseguimos nos identificar com as mulheres representadas em artes de games (o que também está mudando com o tempo, ainda bem) e sempre rola uma impressão de que nosso personagem tem que exalar algum estereótipo de feminilidade. O que já começa a nos cercear porque né, quem disse que eu tenho que jogar com uma personagem mulher.

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Essa expectativa de como uma jogadora ou personagem mulher deve ou não ser/agir na hora do role play gera uma série de momentos desconfortáveis desde se sentir coagida a uma classe de suporte quando na verdade a jogadora queria montar um bárbaro até situações mais sérias dentro e fora do jogo.   E não é porque “nunca aconteceu na sua mesa” que isso é uma coisa que não existe ou não importa. Na minha também não aconteceu, mas nem todas tiveram tanta sorte.

O Women in Table Top Gaming Month

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Como eu mencionei lá em cima, tive a oportunidade de conhecer vários grupos que estão investindo na causa de receber mais jogadoras e fortalecer o público feminino nesse nicho. Esse mês eu estou participando de um deles, o Women in Table Top Gaming Month.

É um evento internacional online que está reunindo diversas atividades durante todo o mês de junho. One shots de diversos sistemas e painéis de discussão são organizados todos os fins de semana pelo grupo no Discord do The RPG Lab e transmitidos pelo canal do Twitch. Além das atividades o evento está incentivando doações a instituições de proteção ou auxílio à mulher.

A comunidade é acolhedora e conta com muitas mulheres com uma boa experiência em TTRPGs e outros jogos, e é muito enriquecedor conhecer tantas mulheres que mestram e jogam regularmente. O conteúdo é todo em inglês, mas se você se interessa pelo tema e gostaria de acompanhar sugiro seguir o The RPG Lab no twitter e assistir às mesas e painéis aos sábados e domingos a tarde (eu estarei participando do painel desse sábado, às 12h ;)). Você também pode  participar do evento, é só escrever uma mensagem para o pessoal do RPG Lab, os horários e spots para jogadores e participantes dos debates são anunciados no grupo do discord.

E para além do evento existem muitos conteúdos que você pode acompanhar como os streams (Sirens of the Realms [5e], RPG das Minas [Tormenta], Girls Guts Glory [5e]) ou podcasts (Our Turn, Ladies Slaying Dragons, The Broadswords).

Se você é uma garota que se interessa por esses temas mas nunca conseguiu ter contato, saiba que a comunidade nunca esteve tão aberta e que pode até demorar um pouco (organizar uma mesa recorrente de RPG mão é fácil pra ninguém), mas tem sim uma mesa pra você por aí 🙂 E se você tem interesse em uma mesa de e para mulheres dá um alô aí pra gente e vamos organizar uma sessão!

 

 

 

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